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Qualidade e Origem

Matcha: o que define qualidade e por que o preço disparou

E Equipe Elmar Atualizado em 6 min de leitura 30 visualizacoes
Matcha: o que define qualidade e por que o preço disparou

O matcha foi o produto que mais subiu em buscas no Brasil no último ano. Saiu de um patamar estável e triplicou de interesse entre junho e agosto. Junto com a onda veio uma enxurrada de produto novo na prateleira — e uma palavra que aparece em quase todos os rótulos: "cerimonial".

Vale começar por ela, porque é onde mora a maior confusão do mercado.

"Cerimonial" não é um grau oficial

O Japão tem um padrão de rotulagem de chá verde, publicado pela Associação Central da Indústria do Chá do Japão. Nele, matcha é definido de forma bem objetiva: tencha — folha cultivada sob sombreamento, vaporizada, seca sem ser enrolada — moído em moinho de chá até virar pó fino.

Não existe, nesse documento nem em nenhuma outra norma japonesa, categoria "cerimonial" ou "culinário". Mais que isso: o mesmo padrão proíbe rótulos com superlativos sem base objetiva. Termos como "o mais alto", "especial" ou "deluxe" são listados como exemplos de rotulagem indevida.

Ou seja: "cerimonial" é vocabulário de importador ocidental, não do setor japonês. Não é fraude — mas também não é garantia de nada, porque ninguém audita esse rótulo.

O que muda de verdade entre um matcha e outro

A diferença real existe, e é medível. Um estudo de 2025 publicado na revista Plants comparou três graus de matcha por HPTLC e ressonância magnética nuclear. Encontrou um gradiente claro: quanto mais alto o grau, mais aminoácidos e cafeína; quanto mais baixo, mais polifenóis.

A explicação é a idade da folha. Brotos e primeiras folhas da primavera concentram L-teanina e cafeína. Folhas mais velhas acumulam catequinas, que são metabólitos de defesa da planta.

Aqui vai uma inversão que surpreende muita gente: matcha de grau inferior tende a ter mais catequina, não menos. Se o argumento de venda é antioxidante, o culinário ganha. O que o grau alto entrega é sabor — umami, doçura, ausência de amargor.

O sombreamento é a técnica central

Pelo padrão japonês, o tencha vem de plantação coberta por 2 a 3 semanas antes da colheita. Menos luz limita a fotossíntese, o que reduz a conversão de aminoácidos em catequinas. Resultado: a L-teanina se acumula, e a planta produz mais clorofila para compensar a baixa luminosidade. Daí vêm juntos o verde intenso e o sabor mais suave.

Mas não é "quanto mais escuro, melhor". Um estudo controlado de 2022 comparou cultivo a céu aberto, com 85% de sombra e com 95%. A clorofila foi maior no de 85%, não no de 95%. Os autores concluíram que sombreamento moderado aumenta aminoácidos, enquanto sombreamento excessivo faz o contrário. É técnica, não exagero.

Como avaliar na prática

Cor. É parâmetro sensorial legítimo — na avaliação chinesa de tencha, a cor da folha responde por 40% dos critérios. Verde vibrante indica clorofila íntegra. Amarelado ou oliva indica clorofila degradada em feofitina, o que acontece com luz, calor, oxigênio e tempo.

Sabor. Umami e doçura no grau alto; amargor e adstringência crescentes conforme a folha é mais velha.

Preparo de referência. Cerca de 2 g de pó para 90 a 100 mL de água a 70 °C. Água fervente aumenta o amargor.

Adulteração — e ela existe. Já foi desenvolvido ensaio de PCR em tempo real capaz de detectar adulterantes vegetais em matcha a partir de 0,1%. As categorias documentadas são corantes (pigmento verde, espirulina), diluentes baratos (chá verde comum em pó, pó de grama de trigo, folha de amoreira), adoçantes e aditivos de sabor.

O que a ciência sustenta — e o que não sustenta

Uma porção de 2 g de matcha entrega cerca de 170 mg de catequinas totais, 109,8 mg de EGCG, 50,3 mg de L-teanina e 72,5 mg de cafeína. É bem mais concentrado que uma xícara de sencha, porque no matcha se ingere a folha inteira em suspensão, não uma infusão coada.

O que tem respaldo: uma meta-análise de 2025 na Nutrition Reviews, com 50 ensaios clínicos, encontrou efeito significativo de L-teanina com cafeína sobre acurácia em tarefas de atenção. Efeitos pequenos a moderados, mas reais.

O que não se confirmou: um ensaio randomizado de 2024 testou 2,7 g de matcha por dia durante 4 semanas medindo sono por eletroencefalografia. Não houve diferença em tempo total de sono, latência, despertares ou eficiência. O título do artigo é literal: matcha não afeta o EEG durante o sono.

E o maior ensaio já feito com matcha e cognição — 99 participantes, 2 g por dia durante 12 meses — não encontrou mudança significativa nos desfechos primários. Houve melhora apenas em um teste secundário de percepção de emoções faciais.

Então: matcha é uma bebida boa, concentrada e agradável. Não é remédio. Quem vende como tal está à frente da evidência.

Por que ficou tão caro

Esse é o dado que mais importa para quem compra. O preço médio de leilão do tencha de primeira colheita em Kyoto foi de ¥5.402/kg em 2024 e saltou para ¥14.541/kg em 2025 — alta de 169%. Em 2026, o mercado de Uji registrou média de ¥17.250/kg, o preço mais alto desde o início dos registros, em 1996.

A demanda explica: as exportações japonesas de chá verde chegaram a 13.125 toneladas no ano fiscal 2025, alta de 42%, com o valor mais que dobrando. Chá verde em pó, incluindo matcha, respondeu por cerca de 70% do volume.

A oferta não acompanha. A área colhida caiu 1% em 2026, cerca de 40% das plantações ficam em encosta ou montanha, a população agrícola envelhece e um levantamento registrou recorde de produtores encerrando atividades em 2025.

O risco que ninguém comenta

Em julho de 2026, o Ministério da Agricultura do Japão registrou o chá japonês no sistema de Indicação Geográfica — explicitamente por causa de produtos estrangeiros usando nomes japoneses. Já havia relato de produto fabricado na China vendido como "Uji matcha".

Some-se a isso que o sistema europeu de alerta rápido registrou notificação de resíduos de agrotóxico em matcha vindo do Japão. O risco é documentado, não teórico.

No Brasil, os limites da IN 160/2022 da ANVISA para a categoria de vegetais para infusão são de 0,60 mg/kg para chumbo, 0,40 para cádmio e 0,60 para arsênio. Vale uma observação técnica honesta: essa categoria pressupõe infusão coada, e no matcha se consome a folha inteira.

Conclusão prática: exija laudo por lote cobrindo metais pesados e resíduos, e origem documentada. O rótulo "cerimonial" não é regulado por ninguém.

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Na Elmar Distribuidora trabalhamos com rastreabilidade de lote e laudo disponível. Se você revende matcha e quer um fornecedor que mostre documento em vez de adjetivo, fale com nosso time comercial.

Conhece alguém que paga caro em "cerimonial" sem saber o que está comprando? Compartilhe este post.

Fontes


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Equipe Elmar

Equipe Elmar - Distribuidora de produtos naturais e alimenticios, presente na Zona Cerealista de Sao Paulo ha mais de 45 anos.