Pressione ESC para fechar
Especiarias

Cúrcuma: benefícios, teor de curcumina e como usar

E Equipe Elmar Atualizado em 8 min de leitura 25 visualizacoes
Cúrcuma: benefícios, teor de curcumina e como usar

Poucos ingredientes atravessam tanto tempo e tanta distância quanto a cúrcuma. O primeiro registro de uso é de 600 a.C., o que a coloca entre as especiarias mais antigas de que se tem notícia. Ela saiu do sul da Ásia, passou séculos sendo praticamente desconhecida no Ocidente e só chegou por aqui como novidade lá pelo século XIII.

No Brasil, tem mais de três séculos de casa. Chegou com os portugueses, se adaptou bem ao clima e hoje é cultivada em várias regiões, quase sempre destinada ao pó que a gente conhece — o mesmo que muita gente chama de açafrão-da-terra ou açafrão-da-índia.

E é justamente aí que começa a confusão mais comum do balcão.

Cúrcuma não é açafrão

Apesar dos apelidos, cúrcuma e açafrão são plantas completamente diferentes.

A cúrcuma é o rizoma da Curcuma longa, uma planta herbácea da família do gengibre, a Zingiberaceae. O que se usa é a raiz — grossa, alongada, com casca fina e interior alaranjado intenso.

O açafrão verdadeiro é o estigma da flor de Crocus sativus, colhido a mão, fio por fio. É a especiaria mais cara do mundo.

Os dois tingem de amarelo, e é daí que veio o apelido. Mas o sabor não tem nada a ver, o preço muito menos, e um não substitui o outro numa receita — quem já tentou fazer paella com cúrcuma sabe.

Do rizoma ao pó

O caminho é mais trabalhoso do que parece. O rizoma é colhido, fervido ou cozido no vapor, seco e só então moído.

Esse cozimento não é detalhe: ele gelatiniza o amido, uniformiza a cor por todo o rizoma e ajuda na conservação. A secagem seguinte precisa ser controlada — feita rápido demais, ou em temperatura alta demais, compromete o aroma. É por isso que existe diferença perceptível entre uma cúrcuma bem processada e uma qualquer.

O produto final é um pó fino, dourado, com aroma discreto e sabor bem mais suave do que a cor sugere.

O sabor, na prática

A cúrcuma é terrosa, levemente amarga e com um leve toque picante — nada agressivo. Tem um fundo amadeirado e um perfume sutil, quase de raiz mesmo.

Isso explica por que ela funciona tão bem como base: ela colore muito e domina pouco. Dá para usar em quantidade generosa sem que o prato vire "prato de cúrcuma". É o oposto do cravo ou do cominho, que se impõem rápido.

O ponto de atenção é o excesso: passou da mão, aparece o amargor. Uma colher de chá para quatro porções costuma ser um bom começo.

O que ela entrega em nutrientes

Uma colher de chá de cúrcuma em pó, cerca de 2 g, traz aproximadamente:

  • 8 calorias
  • 1,82 mg de ferro — perto de 10% do valor diário de referência para adultos
  • 0,34 mg de manganês — cerca de 15% do valor diário
  • 1,4 g de carboidratos, sendo 0,5 g de fibras
  • 0,17 g de proteína
  • Ainda potássio, magnésio, vitamina B6 e vitamina C em quantidades menores

Chama atenção o ferro e o manganês numa porção tão pequena — e não é pouca coisa para um tempero.

O manganês é um mineral que a maioria das pessoas nunca ouviu falar e que faz bastante trabalho: participa da formação óssea, do metabolismo de carboidratos e aminoácidos, e é componente essencial da superóxido dismutase, uma das enzimas antioxidantes do próprio corpo. Meia colher de chá de cúrcuma já contribui de forma visível na conta do dia.

O ferro atua no transporte de oxigênio pelo sangue e na produção de energia nas células. A forma presente em vegetais é absorvida com menos eficiência que a da carne, mas acompanhar a refeição de uma fonte de vitamina C — um limão espremido por cima, tomate na salada — melhora bastante o aproveitamento.

Vale a ressalva honesta de que ninguém tempera comida em quantidade de suplemento. A contribuição é real, mas entra no dia como parte de um conjunto. O jeito certo de pensar é: temperar com cúrcuma é melhor do que temperar sem, e o ganho vem de graça junto com o sabor.

A curcumina: o que é e por que todo mundo fala dela

A curcumina é o pigmento responsável pela cor dourada — e é o composto da planta que mais atraiu atenção científica nas últimas décadas.

Quimicamente, ela pertence à família dos polifenóis, o mesmo grande grupo de compostos do chá verde, do cacau e da azeitona. Na cúrcuma, ela não vem sozinha: acompanha a demetoxicurcumina e a bisdemetoxicurcumina, e as três juntas formam o que se chama de curcuminoides. Na composição típica, a curcumina responde por algo entre 52% e 63% do total de curcuminoides, e as outras duas dividem o restante.

É uma das especiarias mais pesquisadas do mundo — são milhares de estudos publicados. E aqui cabe uma transparência que consideramos importante: apesar de todo esse volume de pesquisa, os resultados clínicos ainda são debatidos entre os cientistas, principalmente porque a curcumina tem absorção baixa pelo organismo. Por isso a ANVISA não autoriza, no Brasil, alegações de benefício à saúde atribuídas à curcumina em alimentos e suplementos.

O que dá para afirmar com tranquilidade, e já é bastante: a cúrcuma é um tempero saboroso, versátil, que colore naturalmente sem corante artificial e ainda traz minerais de brinde. Para uma especiaria que custa pouco e rende muito, é um belo pacote.

Quanto de curcumina tem uma cúrcuma boa?

Essa é a pergunta técnica que mais recebemos — e a resposta tem números claros.

A norma indiana IS 3576:2010, referência do maior produtor mundial, estabelece mínimo de 2,0% de curcumina em base seca para a cúrcuma em pó. Abaixo disso, o produto reprova.

Já um estudo que analisou 28 produtos comerciais por HPLC — o método laboratorial de referência — encontrou média de 3,14% de curcumina na cúrcuma pura em pó. Esse é, na prática, o padrão do mercado bem feito.

A cúrcuma da Elmar trabalha com 3% de curcumina, verificada em laudo. Ou seja: 50% acima do mínimo exigido pela norma indiana e alinhada com a média dos produtos de qualidade medidos em laboratório. Não é a diferença entre céu e terra — é a diferença entre um produto que cumpre o padrão com folga e um que passa raspando no limite.

Agora, um esclarecimento honesto sobre "curcumina alta". Existe muito marketing em cima desse número, e vale entender o que ele significa de verdade.

Teores muito altos — 40%, 70%, 95% de curcuminoides — não são cúrcuma em pó. São extratos concentrados, obtidos por processo industrial de extração, destinados a cápsulas e suplementos. Não é o mesmo produto, não tem o mesmo uso e não vai para a panela.

Dentro da cúrcuma em pó de verdade, a faixa reportada na literatura vai de 0,3% a 8,6%, dependendo de cultivar, solo, adubação e processamento. Os valores muito altos que circulam associados a variedades específicas costumam aparecer só em material de vendedor, sem estudo publicado que sustente — por isso preferimos não repetir número que não podemos comprovar.

E o ponto mais importante para quem cozinha: na cozinha, curcumina mais alta não significa cúrcuma melhor. O que faz diferença no prato é cor, aroma, frescor e pureza. Teor de curcuminoides é um parâmetro que importa de verdade para quem fabrica extrato, não para quem tempera arroz. Um pó com 3% bem processado, com aroma presente e cor viva, entrega mais na cozinha do que um número maior no papel.

Por isso a nossa régua é laudo de lote, e não superlativo de rótulo.

8 formas de usar no dia a dia

1. No arroz. A mais clássica. Refogue meia colher de chá junto com a cebola e o alho, antes de acrescentar o arroz. Sai dourado e perfumado.

2. Em legumes assados. Batata, cenoura, abóbora e couve-flor com azeite, sal e cúrcuma. Vinte minutos no forno alto e a casquinha fica linda.

3. Nos ovos. Uma pitada no ovo mexido ou na omelete. Realça a cor e dá um fundo terroso surpreendente.

4. No leite dourado. Leite (de vaca ou vegetal) aquecido com cúrcuma, canela e um toque de mel. Bebida quente e reconfortante que virou febre nos cafés.

5. Em sopas e caldos. Especialmente as de leguminosas — lentilha, grão-de-bico, feijão-branco. Uma colher de chá na panela transforma a cor.

6. Em marinadas. Frango e peixe pegam bem cúrcuma com limão, alho e azeite. Meia hora de descanso já faz diferença.

7. Em molhos e maioneses. Uma pitada numa maionese caseira dá cor de gema e um sabor a mais.

8. No pão e nas massas caseiras. Adicionada à farinha, deixa a massa amarelada e com aroma delicado. Funciona bem em pão de forma e massa fresca.

Dica de cozinheiro: os curcuminoides se dissolvem melhor em gordura e em meio lácteo do que em água pura. Refogar a cúrcuma rapidamente no azeite ou na manteiga, antes de somar os líquidos, distribui a cor de maneira muito mais uniforme e arredonda o sabor. É a diferença entre um prato dourado por igual e um prato com pontinhos amarelos.

E um aviso prático que todo mundo aprende do jeito difícil: ela mancha. Bancada clara, tábua de plástico e as próprias mãos. Vale usar tábua de vidro e lavar rápido.

Como conservar

Os pigmentos da cúrcuma são sensíveis à luz. Sob exposição contínua, a intensidade da cor cai bastante em pouco tempo, e o calor acelera o processo.

Na prática: pote de vidro âmbar ou lata, bem fechado, longe da luz direta e longe do fogão. Aquele vidro transparente bonito em cima do fogão é o pior lugar possível. Guardada direito, a cúrcuma mantém cor e aroma por bastante tempo.

Fale com a Elmar

Na Elmar Distribuidora trabalhamos com cúrcuma de 3% de curcumina, com rastreabilidade de lote e laudo disponível. Se você revende especiarias e quer um produto de cor viva, aroma presente e número comprovado, fale com nosso time comercial e peça uma amostra.

Conhece alguém que só usa cúrcuma no arroz? Compartilhe este post e mostre as outras sete formas.

Fontes


Compartilhar: WhatsApp Facebook LinkedIn
E

Equipe Elmar

Equipe Elmar - Distribuidora de produtos naturais e alimenticios, presente na Zona Cerealista de Sao Paulo ha mais de 45 anos.